quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Suicidas - Raphael Montes

Título: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Editora: Benvirá
Páginas: 488
ISBN: 978-85-640655-7-4
Ano: 2012
Nota: 4/5

          Nove jovens, nove balas e uma Magnum 608
          O que leva uma pessoa a cometer um suicídio? Por que desistir da vida no auge dela? Essa é a proposta deste livro. Contar a história de nove jovens suicidas, nove jovens que não, aparentemente, não tinham motivo para se suicidar.

          O livro tem como personagem principal: Alessandro, um jovem de classe média alta, estudante de direito, que sonha em ser escritor. Amigo de infância de Zak, filho de um milionário que sempre teve tudo o que quis, do carro do ano até as garotas do alfabeto. Após um acidente, os dois e mais sete amigos resolvem fazer uma roleta-russa no porão da casa de campo de Zak.

          O livro é narrado em três tempos: Os cadernos de Alessandro escritos antes da roleta-russa, uma reunião com as mães dos suicidas e a delegada responsável pelo caso após 1 ano e o livro que narra a roleta-russa.

          Por vezes, os capítulos dos cadernos pré-suicídio ficaram bem massantes, o autor prolongava-se em alguns detalhes ou em devaneios do Alessandro, que chegaram a irritar, mas nem por isso são menos importantes, é através desses cadernos que a gente vai conhecendo os nove personagens. É neles que a gente pode encontrar a motivação para o suicídio. E até nos confundir um pouco.

          Já a reunião, essa era bem chatinha, não gostei muito, e a tal de Olívia me dava nos nervos. Parece aquelas barraqueiras que só brigam por brigar (ahhhh mais sempre tem que ter a barraqueira, afinal é uma história que poderia ser verdade, ou não?). Porém, eu não gostei das pausas entre parênteses, aquilo cortava o ritmo da leitura, mas eu acredito que uma fita transcrita deve ser assim, então é melhor aceitar. A interação entre as mães, a medida que a Delegada ia lendo o livro suicida foi estranha, foi como dar a uma mãe uma fita do último dia do filho, foi macabro. Não sei se seria correto.

          O livro suicida, o tal livro que Alessandro tanto queria escrever. O livro que narraria a morte de cada um (enquanto ele estivesse vivo). Esse conta desde a ida para Cyrille's House até a morte do Alessandro (isso não é um spoiler, lembre: nove jovens, nove balas). Detalhadamente, Alessandro narra os acontecimentos, reações e desespero dos jovens trancafiados no porão. É nesses capítulos que eu fiquei mais horrorizada, se você não aguenta cenas fortes, não leia. Necrofilia, cabeças destroçadas, violação de corpos. O Raphael não poupa sangue nestes capítulos. Em um eu cheguei a chorar. Em outros, eu não conseguia imaginar o que as mães poderiam estar sentindo ao ouvir aquilo.

          A detetive reúne as mães e lê esses capítulos para elas, para que juntas consigam desvendar o que realmente levou esses jovens a medidas tão estremas, e o porquê dos corpos estarem de forma tão estranha. Desvendar o que realmente aconteceu naquele porão.

          O final é incrível. Mas o final que eu digo é a última frase, assim como em Dias Perfeitos, a última frase é do CARALHO (sim, foi isso que eu pensei). Só posso dizer uma coisa, nunca chegarei perto do Raphael Montes (huahauha, nem pra um autógrafo). Muito medo desse cara. É sério. Ele conseguiu, em duas palavras, fazer eu acreditar que aquilo poderia ser verdade.

         O desfecho não achei tão bom. O final da Reunião de Mães acabou com incidente, que na minha opinião, a polícia teria que ser muito incompetente para deixar aquilo acontecer. Mas a troca de e-mails, a "verdade" por trás da Roleta-Russa, essa sim foi interessante. Embora eu não tenha entendido a motivação. Não achei um motivo plausível, mas quem é que tem um motivo plausível pra matar?

          A leitura flui muito bem. Embora os capítulos se alternem entre três tempos diferentes, os capítulos se complementam, se comunicam entre si. Não favoritei este livro, mas com certeza eu recomendaria pra quem gosta do gênero.

Este livro faz parte do Desafio Literacional 2015. 
Tema: Ler um livro nacional que tenha alguma cena na praia.


Praia de Copacabana

Praia de Ipanema

4 comentários:

  1. Querida Tete
    Muito legal sua resenha
    Tenho vontade de ler os livros do Raphael, mas fico tensa so com as resenhas...rs
    Bjks mil

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    1. Kkkkkkk
      Claudia, eu gostei muito. Mas se você é daquelas que não curte um corpo estripado é melhor nem encarar, ou pular essa parte. Ele dá uns bons detalhes nessas partes.
      Obrigada.
      Bjks

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  2. Ah realmente o Raphael não economiza no sangue.
    Me lembro até hoje da cena de dias perfeitos.
    Mas ainda assim louca por esse, kkkkkkkkkkkkkkkkk
    Adorei saber um pouco mais desse livro e a curiosidade só aumenta.
    E sim se ele estiver na Bienal, nós vamos, juntas porque ai quem sabe sobreviveremos?
    Mais uma resenha fantástica.
    bjs

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    1. kkkkk Vamos, sim. Acho que assim ele não se atreve em nos matar. kkkkk
      Obrigada
      Bjks

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